Cine Som - Bernard Herrmann
Depois de algumas edições de estagnação no formato, o Cine Som volta a programação com novo frescor. Mesmo com algumas deficiências, a edição retoma o desenvolvimento e as experiências linguisticas, sem muita ousadia, mas com a coerência necessária para abrir perspectivas.
A escolha de Bernard Herrmann, este ilustre desconhecido do grande público, segue bem os principios da rádio de fugir dos grandes medalhões que já são contemplados em outras webradios.
Deficiências
Vamos enumerar alguns poréns: o programa não atingiu os 30 minutos mínimos estabelecidos. É necessário criar técnicas de roteiro que facilitem esta medição mesmo com a dificuldade de se estabelecer um tempo médio das músicas. Talvez o uso de um cronômetro para a locução e a soma dos tempos das músicas ajude nesta tarefa.
O segundo porém diz respeito a pesquisa que ficou focada fora discoteca. Uma vez que estabelecido que uma das prioridades deste ano é concetrar-se no acervo da discoteca para programas musicais, a pesquisa deste Cine Som foi praticamente alheia a isso. Provavelmente, seria grande a dificuldade de encontrar os fonogramas no acervo; mas ter não ter esta informação (se tem ou não) é mais grave. É preferível enfrentar a dúvida de fazer ou não o programa se caso não houvesse mesmo os fonogramas.
Outra técnica interessante é a não cronologia dos fatos, mas o encadeamento dos assuntos. Embora não seja tão intencional, o roteiro abandona a simples audiobiografia.
O roteiro não contextualizou a vida com a obra. Desta maneira, perdeu a chance de humanizar o personagem, neste caso, o compositor.
Por fim, a desvinculação da parte sonora de sua realização na Internet foi uma falta embora não das mais graves. A realização de um programa de webradio deve ser acompanhado de seus dobramentos na rede como textos de site, imagens (seja de discos, fotos, fotograma dos filmes, etc) e divulgação das comunidades.
Retomada
Vamos centrar nos pontos que representam uma evolução e/ou retomada de linguagem do programa.
A primeira é a multiplicidade das vozes. Neste caso: a locução, a música, o emprego na íntegra de um texto alheio e a banda sonora dos filmes.
A utilização da locução e da música é padrão em progrmas radiofônicos, mas o texto alheio e a banda sonora dos filmes não é. Nas últimas edições, o Cine Som havia abandonado esta técnica que apareceu nas primeiras edições. Estas vozes bem utilizadas trazem uma dinâmica diferenciada e se aproxima de uma construção cinematográfica ou de uma ficção radiofônica.
A segunda é abdicação da cronologia para criar um roteiro baseado no encadeamento de uma narrativa e uma associação de idéia. No inicio do programa, ouvimos um tema conhecido que será retomado mais tarde. Durante o programa, observamos um Herrmann orquestral caminhando para um mais popular sendo o ápice a música cantada por Doris Day e culmina em Tarantino e suas releituras inusitadas.
Agora fica a expectativa para as próximas edições.
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